Agora sim, consigo descrever como foi a despedida na passada sexta-feira (consegui parar um bocadinho....). O dia correu bem, a arrumar as tralhas, a deitar muita papelada para a reciclagem, a tratar de coisas que deviam ficar tratadas, a tentar deixar tudo perfeito para quem fica. Às 17h30 começaram as despedidas... E aqui é que as coisas começaram a ficar estranhas. Dizer adeus a 5 anos de pessoas que conhecemos e deixámos entrar nas nossas vidas, umas de imediato, outras aos poucos, é uma sensação ingrata, injusta, infeliz. Falo por mim, a sentimentalzinha cá do sítio. Não é dizer adeus, porque os contactos mantêm-se, é o convívio diário, as piadas e olhares cúmplices, aquele sorriso, aquele ambiente a que chamamos casa ao fim e ao cabo. Passamos mais tempo com eles do que com a família. Laços são criados inevitavelmente, empatias surgem, amizades nascem. Na sexta, o meu coração ficou pequenino pequenino... Beijos que foram dados, abraços intermináveis, que eu queria que não acabassem nunca, olhos vermelhos de emoção que diziam tudo, apesar de não ouvirmos nada, na hora do "até logo". Carregada de sacos e de lágrimas, com um nó na garganta, lá fui eu para outra aventura, num caminho para casa feito em silêncio. Não havia espaço para mais nada, apenas o silêncio. Drama a mais? Talvez. Não posso negar aos sentimentos que me assolam, à emoção que toma conta de mim quando falo em pessoas que me ficaram no coração. No meio de tantas coisas más, ficam apenas os bons momentos.
Saudades.